V Colóquio Internacional A Universidade e modos de produção do conhecimento, para que desenvolvimentos?

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No âmbito da parceria UNL-Fribourg-UNIMONTES, realizamos o I Colóquio Internacional, em Montes Claros, de 21 a 23 de agosto de 2008, sob o título (Des)envolvimentos contra a pobreza: mediações teóricas, técnicas e políticas; o II Colóquio Pobreza da Globalização, globalização da pobreza: experiências inovadoras e perspectivas de mudança ocorrido em Lisboa de 03 a 05 de dezembro de 2009, contou com a participação de Robert Castel ; o III Colóquio Recursos na luta contra a pobreza: entre o controle societal e reconhecimento social foi sediado em Montes Claros, de 26 a 28 de agosto de 2010; o IV Colóquio Internacional Ação Pública e Problemas Sociais em Cidades Intermediárias, de 23 a 25 de janeiro de 2013,na Universidade Nova de Lisboa em Lisboa-Pt, com participação do renomado cientista social Jean Remy, conferencista e homenageado. A partir do IV Colóquio, se alarga a parceria com várias universidades de Portugal, como a Universidade de Évora, a Universidade da Beira Interior, a Universidade do Minho, a Universidade de Faro e a Universidade de Coimbra. O V Colóquio Internacional A Universidade e modos de produção do conhecimento, para que desenvolvimentos? será sediado em Montes Claros, de 02 a 04 de setembro de 2015 na Unimontes.
Como são e como serão as Universidades no século XXI e como é que elas poderão contribuir para o desenvolvimento social e humano das nossas sociedades? As respostas já estão aí, nos sulcos desenhados no tecido social pelo nosso labor cotidiano, mas também nos sinais que projetam as nossas práticas no futuro. O desafio que lançamos com este colóquio internacional é de fazer incidir sobre nós mesmos, aquela curiosidade apaixonada ou aquela atenção maiêutica que temos por hábito praticar na nossa pesquisa e no nosso ensino. Mas este exercício narcísico do olhar não nos desviará do rumo, já que nós só nos conseguimos ver, de fato, por meio dos nossos resultados.

A dificuldade do exercício é que estes resultados se perfilam num campo bastante vasto de finalidades que se apresentam como desafios que a Universidade está constantemente a tentar resolver e que Boaventura Sousa Santos  sintetizou distinguindo a questão institucional (que se resolve entre as forças de produção e as forças de reprodução); a questão da legitimidade (de acordo como os efeitos do ensino pendem mais para a hierarquização ou para a democratização) e, finalmente, a questão da hegemonia (considerando as relações que se estabelecem entre conhecimentos exemplares e conhecimentos funcionais).

No plano institucional, as missões e os objetivos do Ensino Superior desenham-se sempre entre as dimensões de “instituição” e de “organização”   em conjunção, respetivamente, com o trabalho sobre os valores estruturantes das sociedades (reprodução) e a sua atualização ou mudança (produção). Estas dimensões entram, de acordo com uma geometria variável, nos diferentes modelos de referência (“napoleônica”, ou “humboldtiana”…) da “Universidade” e elas se concretizam em cada instituição de uma forma específica, orientando os conteúdos e os sentidos dos nossos investimentos, tanto na pesquisa como no ensino. Em que medida essas orientações fixam as nossas escolhas e como é que elas nos permitem participar na construção da sociedade? E que valores e interesses servimos?

A questão da democratização do Ensino Superior coloca-se a vários níveis e produz efeitos determinantes na sociedade. Para além das condições de acesso (que participam de forma notória na (re)produção das posições sociais) e das condições de tratamento dos alunos (que transportam para as salas de aula os princípios da discriminação), interessa-nos considerar os resultados obtidos, primeiro no plano escolar e em seguida no plano social. Por meio da análise destes momentos do processo de democratização do ensino superior podemos perceber, designadamente, a dinâmica das mudanças que se observam na estrutura das posições sociais; os patamares ou os modelos de desenvolvimento econômico, social e humano, conseguidos; a importância que assume o conhecimento ou as suas expressões simbólicas (diplomas…) nas estratégias dos atores sociais. Em que medida e como a Universidade é capaz de participar na construção e na mudança social, tanto no plano dos atores individuais como coletivos?

O Ensino superior é questionado, ainda, pelos modos de produção do conhecimento, e particularmente, pela tensão suscetível de existir entre os conhecimentos científicos e outros tipos de conhecimento. Nos últimos vinte anos têm vindo a ser distinguidos, e mesmo confrontados entre si, um modelo “normal” ou modo 1 e um modelo emergente ou modo 2 de fazer ciência . Contrariamente ao primeiro, o modo 2 aponta para uma pesquisa centrada em problemas definidos pela sociedade e não mais apenas pela Academia, implicando que os saberes necessários para a sua resolução não são mais exclusivos à Academia mas partilhados entre os atores intervenientes, deslocando-se assim a iniciativa da pesquisa da Universidade para atores (econômicos, políticos…) com poder suficiente para definirem quais os objetos que serão dignos de investimento, sendo que a validação dos resultados não é mais feita apenas pela Academia, nem sujeita ao controlo pelos pares, mas submetida aos princípios de eficácia e de eficiência definidos pelos parceiros envolvidos. Como e em que medida estas orientações mudam, ou podem vir a mudar, os compromissos da Universidade com a sociedade e o desenvolvimento em particular? Como é que ela pode mudar a nossa forma de fazer pesquisa? Como transpor para o campo da luta pela promoção da cidadania, da justiça e da igualdade os princípios do modo 2 de fazer ciência, que é mais pensado em relação a projetos do tipo Ciência e Tecnologia? Qual é o estatuto das ciências sociais e humanas nos novos modelos de fazer e de gerir a ciência? Como poderão participar, nesses novos modelos, os conhecimentos tradicionais, populares e indígenas? Como pensar a interdisciplinaridade (que é um movimentos que a Academia assumiu) num contexto onde se valoriza uma transdisciplinaridade regulada por interesses exteriores à Academia. Quem definirá os princípios éticos necessários para proceder a essa regulação, num contexto onde o político e a política tende a impor-se à ética?

Interessa-nos discutir os modos como estas questões interpelam as nossas práticas de pesquisa e de ensino, particularmente quando está em causa a construção de sociedades marcadas pelas desigualdades e injustiça social. Como é que estas questões se colocam no seio de uma Academia extremamente estratificada considerando, designadamente, os seus centros de iniciativa, de organização e de financiamento; uma repartição discriminada dos recursos e dos níveis de excelência (definidos com base em critérios eles-mesmos discriminatórios); os seus níveis de comprometimento com os valores e interesses contraditórios da sociedade?

Sem dúvida que as respostas a estas perguntas e o sentido que elas assumem face aos desafios atuais e futuros colocados à Universidade, se deixam ler nas nossas práticas, que vos convidamos assim a revisitar, inserindo-as num dos eixos de problemática apresentados a seguir.

Temas para Apresentação de comunicações

1. A Universidade, para que desenvolvimentos?

2. Universidade e a construção da cidadania, com justiça e igualdade social?

3. O Desenvolvimento como prática interdisciplinar: temporalidades, modalidades e sentidos

4. Como vive a Universidade com os Movimentos sociais?

a. Movimentos Sociais de Género

b. Movimentos Sociais de Jovens

c. Movimentos Sociais de Raça e Etnia

d. Movimentos Sociais com Base Territorial

e. Movimentos Sociais para uma outra Economia

f. Movimentos Sociais para a Igualdade, a Justiça e a Cidadania.

5. As Missões do Ensino Superior: que comprometimentos sociais, entre a implicação e o distanciamento

6. Modos de produção de conhecimentos e desenvolvimento: paradigmas, estatuto e finalidades da pesquisa

7. Modelos de transmissão de conhecimentos no ensino superior, para quê e para quem?

8. Conhecimento científico e conhecimentos tradicionais, modos de articulação

9. A democratização do Ensino Superior: ingressos, modos de integração e resultados

10. A Universidade e a extensão universitária: quem serve quem?

 

Mais informações: www.coloquiointernacional.com

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